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05 agosto, 2014

Sobre o não querer ter filhos

Vivemos em uma sociedade, a sociedade tradicionalista, onde tudo parece que vem pré-programado, e você precisa seguir essa ordem imaginária que é implícita na vida. Se você tá solteira, logo todos querem saber se você tem um namorado, ou por onde anda seu príncipe, se você namora, logo querem saber quando será o casamento, se vocês vão casar, se você resolve casar, de cara imaginam que é devido a uma gravidez, ou se não, quando casada começam as cobranças por filhos, e se já tem um filho, passam a ser cobranças pelo segundo filho.
Em paralelo, à essa cobrança ligada à relacionamentos, há também os ideais de pessoas mais liberais, diria feministas até, que consegue entender que não é necessário um relacionamento para ser feliz, mas que uma mulher precisa de um filho para se tornar realizada. Enquanto isso existe toda a novela em relação à idade da mulher, com 15 anos é muito jovem para ter filho, com 21 deveria aproveitar mais a vida, com 27 já está passando da idade, com 35 já passou da hora de ter um filho. Mas raras são as pessoas que simplesmente aceitam o fato de que não, que você não quer ter filhos. Acredito que se alguém faz essa afirmação, na altura de seus 27 anos, já tenha refletido o suficiente para tomar uma decisão. Não vejo que essa, seja o tipo de opinião que se mude assim tão fácil, mas as pessoas simplesmente não te levam a sério. Em um mundo onde métodos contraceptivos são de fácil acesso, com divulgação, e tudo mais, sempre bato na tecla, engravida hoje em dia, quem quer.
Claro, posso um dia quebrar a cara na parede, e entrar no 1% dos riscos, pois afinal só tem um jeito 100% garantido de não conceber. Da mesmo forma, que me permito, lá na frente, quem sabe, mudar de opinião, mas não nunca tive essa vontade, essa necessidade, acho uma responsabilidade muito grande a decisão de por uma pessoa nesse mundo, nesse país principalmente em que vivemos, onde os princípios, a ética anda tão deturpada, não quero conviver com o fardo de que posso ter colocado um “monstro” na sociedade, sei que muitos falam que é questão de educação, de criação, mas você tem controle integral 100% sobre um filho, até o momento que ele começa a frequentar a escola, ter amigos, após isso, a influência externa só começa a crescer e você vai perdendo as rédeas da situação, todo mundo fala, que não criamos os filhos para nós, e sim para o mundo. Pois então, o mundo não precisa de mais gente, já tem gente o suficiente.
Gostaria de verdade, que as pessoas simplesmente aceitassem, da forma como aceitam alguém estar grávida, alguém não querer engravidar, sem ficar questionando, debatendo, ou te dando motivos maravilhosos para “aderir” a maternidade. Gostaria simplesmente de ouvir um “É isso ai, vai aproveitar a vida, vai viajar e curtir seu marido”. Sim esse foi um desabafo de algo que vive presente na minha vida, e que as vezes enche de verdade o saco. Adoro crianças, amo meus sobrinhos, minhas primas pequenas, ajudo no que preciso for, mimo, brinco, faço tudo, tenho intenção de trabalhar com crianças em algum momento da minha carreira, porém não, obrigada, não quero perder minhas preciosas noites de sono.